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Encontro de produtores aproxima oferta de alimentos de demanda do setor público
11/06/2015 20:41
Encontro de produtores aproxima oferta de alimentos de demanda do setor público

A aproximação entre agricultores orgânicos, prefeitura e agentes envolvidos na alimentação escolar ampliou-se no 1º Encontro de Produtores Orgânicos para o abastecimento da Alimentação Escolar, com realização pelo Departamento de Alimentação Escolar do Município de São Paulo, em parceria com a AAO – Associação de Agricultura Orgânica, Instituto Kairós e Instituto 5 Elementos, da Plataforma de Apoio à Agricultura Orgânica da Cidade de São Paulo, durante a Bio Brazil Fair, em 11 de junho. Para além da visão mercadológica, o objetivo é fazer com que o alimento saudável chegue à mesa de milhões de cidadãos, mudando hábitos e promovendo transformação no comportamento alimentar.

 

A assessora do Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação, Danuta Chmielewska, enfatizou a possibilidade de se casar a oferta de orgânicos com a alimentação escolar atual, incorporando os produtos da agroecologia no cardápio. A partir de 2012, o DAE realiza sua primeira compra pública da agricultura familiar, que representaram 1% dos recursos repassados pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Em 2013, esse número subiu para 7%, incluindo arroz e sucos integrais, e em 2014 o repasse foi de 17%, com a compra de feijão e arroz orgânico, sucos e banana de comunidades do Vale do Ribeira – novidade por ser o primeiro produto in natura, cuja logística mostra-se mais complexa.

 

“E 2015 já contou com chamadas para alimentos inéditos, como a carne suína, o iogurte ou a farinha de mandioca, sempre da agricultura familiar. Agora do desafio é fazer com que o alimento na escola represente um tema também na sala de aula, influindo na educação das crianças”, reforçou Danuta.

 

O formato de chamada pública atual, que também será usado na compra pela Lei da Alimentação Escolar Orgânica, não tem o critério preço como definidor e sim a localização dos agricultores, primeiramente no município e depois no Estado, a origem de assentamentos e comunidades tradicionais, a produção orgânica e o número de agricultores envolvidos na cooperativa. Danuta coloca ainda que as características do produto, a quantidade e a forma de entrega, são analisados no contrato de compra.

 

A experiência da COOTAP - Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre, trazida por Nelson Krupinski, revela-se inspiradora para produtores de matérias-primas agroecológicas que queiram fornecer alimento saudável, com dicas preciosas como: a importância da relação com a prefeitura, que faz o diálogo com as merendeiras e alunos, ou a importância da autonomia dos agricultores quanto à decisão do plantar e fornecer à cooperativa.

 

Com 15 anos, a COOTAP tem o arroz orgânico como carro-chefe, envolvendo 522 famílias em área de 4 mil e 800 hectares de cultivo certificado. Em 2015, a cooperativa contava com 1.986 famílias associadas, sempre baseando-se nas decisões coletivas, principalmente por meio do Grupo Gestor do Arroz Orgânico, que apoia, por exemplo, no fornecimento de sementes, calcário e no próprio maquinário e pessoal para a irrigação. Os preços são decididos pelo grupo, mas hoje os agricultores orgânicos da COOTAP recebem 15% a mais do que o convencionais.

 

“O contrato de compra pública permite organizar a cadeia de trabalho. Hoje a agricultura familiar tem grande potencial de fornecimento em escala, um contrato com a prefeitura de São Paulo representa um efeito gigante”, comentou Nelson.

 

Sua opinião foi partilhada pelo presidente da Federação de Agricultura Familiar, Marcos Pimentel, para quem a lógica de abrir possibilidades a essas famílias é reforçada com a criação do marco legal, que disciplina a comercialização, a certificação, entre outros. “Mas o grande desafio está na gestão das cooperativas, ou seja, o preparo para a logística, a frequência de entrega, a padronização, fazendo chegar o alimento ao destino final. Uma política pública destas exige aprendizagem por todos os envolvidos”, concluiu.

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