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MANIFESTO da AAO sobre o uso de agrotóxicos no Brasil
28/07/2015 21:06

A AAO lança este mês o Manifesto sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, posicionando-se frente ao tema e a favor de uma agricultura que preserve a vida, os recursos naturais e as pessoas. O Manifesto está disponível para ser usado em veículos eletrônicos (portais, sites, blogs e canais de mídia) e ser impresso e distribuído por todos que apoiam seu conteúdo. Basta baixar AQUI.


Leia o texto na íntegra:


Há 26 anos a AAO - Associação de Agricultura Orgânica luta por uma agricultura de base agroecológica, com a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais essenciais à vida. E portanto, vem se manifestar publicamente contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil, as quais envolvem a liberação de novos produtos nocivos à saúde, crescimento na venda dessas substâncias no país e comprovação de resíduos de agrotóxicos em quantidade acima do limite máximo permitido nos alimentos.

 

Notícias recentes mostram, por exemplo, que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 2014 o agrotóxico MegaBR, com grau de toxicidade maior outros similares no mercado, e que ultrapassamos o consumo de 1 milhão de toneladas de agrotóxicos em 2009, equivalendo a ingestão média de 5,2 quilos de veneno agrícola por habitante por ano (relatório do INCA, 2015). Entre 2000 e 2012, as vendas dessas substâncias tiveram aumento de 195%, representando valores recordes de 8 bilhões de dólares ao ano (portal Ecodebate, 2 de julho de 2015).

 

Além de não haver atualmente qualquer panorama das áreas contaminadas por agrotóxicos no país, na prática consumimos essas substâncias para depois assumir os gastos públicos com a saúde. Estudos já demonstram que os riscos à saúde, em especial nas causas de doenças crônicas como o câncer, são comprovados pela exposição múltipla aos agrotóxicos, ou seja, pela presença de resíduos destes nos alimentos e no meio ambiente.

 

Assim, a AAO posiciona-se pela aplicação imediata de iniciativas de regulação e controle dessas substâncias, mas também pelo fortalecimento das soluções agroecológicas contrárias ao modelo agrícola dominante. Entre os benefícios da agricultura orgânica estão alimentos de maior valor nutritivo, sabor e aroma mais intensos, preservação dos recursos naturais, aumento na produtividade do solo, restauração da biodiversidade e proteção da água, além de fixar o homem à terra e manter as comunidades rurais.

 

Por meio deste manifesto, convocamos os cidadãos a cobrarem mais ações do poder público no apoio à produção de alimentos orgânicos: por uma maior oferta desses alimentos, incentivando a produção e a melhoria de renda dos agricultores, ampliação dos canais de comercialização, e políticas públicas que permitam ampliar a capacidade produtiva nas propriedades e a conversão do sistema convencional ao orgânico.

 

Finalmente, vale ressaltar que os agrotóxicos não ocorrem apenas nos alimentos in natura, mas nos produtos processados como biscoitos, salgadinhos, pães, cereais, além de carnes e leites, levando ainda mais à necessidade de priorizar o consumo diário de orgânicos. Os riscos à saúde são inúmeros, dos efeitos sobre o sistema imunológico à infertilidade, desregulação hormonal e malformações. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) publicou pesquisa em março deste ano, classificando o herbicida glifosato e mais quatro inseticidas como prováveis agentes carcinogênicos para humanos. Já o INCA recomendou o uso do Princípio da Precaução e ações que visem à redução progressiva do uso de agrotóxicos.

 

A AAO também defende ações como a do Projeto de Lei da Câmara Municipal de São Paulo, contra a venda de agrotóxicos na cidade, além dos princípios do Novo Guia Alimentar da População Brasileira, entre os quais o aumento no consumo de alimentos in natura (plantas ou animais que não sofreram alteração após deixar a natureza) e alimentos minimamente processados, evitando os produtos ultraprocessados, o que implica também no apoio a um novo sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.

Categoria(s): Agricultura Orgânica