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Agrotóxicos, transgênicos e outros contaminantes - Parte final
17/08/2011 21:42
No SINAN, foram registrados no período de 1996 a 2000, um total de 5654 casos suspeitos, com 2931 casos confirmados (51,43%). O número de óbitos foi de 227, correspondendo a uma letalidade de 7,73% no período.

As intoxicações se concentraram em indivíduos do sexo masculino entre 15 e 49 anos, sendo confirmados pelo critério clínico-epidemiológico em 60% dos casos; 61,74% das intoxicações receberam atendimento hospitalar; 29,46% atendimento ambulatorial; 7,03% atendimento domiciliar e 1,77% dos casos não receberam nenhum atendimento. Os acidentes de trabalho representaram 53,5% das circunstâncias de intoxicação, seguidos pelas tentativas de suicídio (28,2%) e intoxicações acidentais com 12,9%.

Dentre os 128 princípios ativos envolvidos nas intoxicações o glifosato, o paraquat e o metamidofós, foram os agentes tóxicos mais incriminados, respondendo com 26,2% do total.
Já naquela época apontava para a necessidade da inclusão deste grave problema de saúde pública como prioridade na agenda dos órgãos gestores que compõem o Sistema Único de Saúde, nos três níveis de governo, afim de que ações pudessem resultar numa efetiva proteção e prevenção à saúde da população.

Apesar dos apelos de vários profissionais do setor para que medidas fossem implementadas pelo Ministério da Saúde, o mesmo sempre fez “ouvidos de mercador” para esta questão, se limitando a apresentar proposituras aqui e acolá sem que nunca assumisse de fato a responsabilidade por tal questão, deixando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, sozinha para tentar dar conta de suas atribuições e de outras que não lhe cabem como as notificações e investigações de intoxicações, ou seja, fazer epidemiologia.

Sempre afirmou-se que a questão das intoxicações por agrotóxicos não poderia receber tratamento menor, face à importância da questão e a existência de vários estudos afirmando que estávamos e estamos imersos em uma endemia decorrente do uso e abuso desta substância química tóxica.

Espera-se que com a Audiência Pública realizada na Câmara dos Deputados, pela Câmara de Seguridade Social, dia 07 de abril, providências sejam tomadas com a seriedade que o assunto impõe.

Por: Alberto Benatto

Categoria(s): Agrotóxicos, Artigos