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O legado de Ana Primavesi na agroecologia
19/09/2016 14:42
O legado de Ana Primavesi na agroecologia
Ana Maria Primavesi é uma das mais importantes pesquisadoras da agroecologia e da produção orgânica
Agricultura orgânica envolve 13,9 mil famílias lideradas por mulheres

VIVIANE MONTEIRO 

As mulheres ocupam oficialmente 38% da agricultura orgânica produzida no Brasil e assumem o papel protagonista na agroecologia, sob as influências dos conhecimentos extraídos “da bíblia” da cientista Ana Maria Primavesi, prestes a completar 96 anos, em 03 de outubro. A pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Elisa Wandelli, atribui aos ensinamentos de Primavesi, de quem grande parte dos pequenos agricultores que cultiva os produtos orgânicos são discípulos, a presença marcante das mulheres na agricultura orgânica. “Ela é o baluarte da ciência agroecológica, pioneira de uma época em que nem se falava de agroecologia”, destaca Wandelli. Trajetória Primavesi formou-se na Universidade Agrícola de Viena, na Áustria, e fez doutorado em Cultura de Solos e Nutrição Vegetal. Casou-se os 26 anos e, em 1949, imigrou para o Brasil com o marido. Os dois tiveram atuação marcante no País na área de agronomia e foram professores na Universidade Federal de Santa Maria (RS). Ela se notabilizou por desvendar os segredos e as riquezas do solo. No livro “Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais”, uma das principais obras da cientista entre diversas publicadas, ela alerta sobre a necessidade de se preservar e conservar a saúde do solo para sobrevivência humana. O termo “compostagem laminar”, lançado pela pesquisadora, é referência na produção agrícola dos movimentos sociais de pequenos agricultores, como o Via Campesina, segundo Wandelli. Tal processo consiste na cobertura do solo na área circular ao redor da planta com matéria orgânica, o que contribui para o aumento da produtividade sem a utilização de insumos químicos. Com base nos dados do cadastro dos agricultores orgânicos, do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Agropecuária (MAPA), Wandelli diz que existem 13,9 mil famílias na agricultura orgânica, liderada pelo sexo feminino, com 38% do total oficialmente. Ela ressalta que são as mulheres que protagonizam essa produção, na busca da proteção à sustentabilidade, à soberania alimentar dos filhos e à domesticação das plantas.

Fonte: Jornal da Ciência - Artigo: A presença da mulher brasileira no mundo acadêmico e científico, pág 14.