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Agricultura ecológica e a saúde humana - Parte 1
17/08/2011 21:01

Há cerca de 50 anos surgiu nos consultórios médicos um paciente atípico: ele não trazia queixas específicas de um órgão em especial, como uma dor de cabeça ou no estômago ou uma febre. Queixava-se apenas de não estar bem; de não estar motivado para o trabalho; dizia que dormia mal a noite apesar de se sentir sonolento durante o dia; sem ânimo para o trabalho e até mesmo para o lazer e para a vida relacional. Durante décadas esse paciente foi medicado com tranquilizantes e ansiolíticos pois supunha-se que se tratava de um desequilíbrio psíquico. A situação elevou em dezenas de vezes o consumo mundial de benzodiazepínicos (ansiolíticos como o Valium e o Diempax).

Há pouco mais de uma década uma nova especialidade médica, a medicina ortomolecular, começou a estudar o metabolismo humano como um todo e percebeu que estes pacientes estavam na verdade micro desnutridos e intoxicados, isto é, apresentavam deficiência de vitaminas e sais minerais e os metais pesados e outras substâncias estavam nocivamente em excesso em seu organismo. Esta medicina desenvolveu uma forma de retirar quimicamente estas substâncias nocivas do sangue e repor aquelas faltantes através da suplementação vitamínico-mineral, procurando normalizar o metabolismo.

Mas, se transcendermos a medicina do indivíduo e olharmos ecologicamente em busca da origem dessa situação encontraremos transformações profundas nas formas de produção agropecuária que se disseminaram pelo mundo nos anos 50. Nesse período pós-guerra, a tecnologia bélica perdeu sua finalidade, mas encontrou um escoamento para sua produção transformando tanques de guerra em tratores! A prática de arar o solo era justificável e até ecológica nas áreas de clima temperado, pois trazia para a superfície do solo a camada vital que ficou latente a 40 centímetros de profundidade durante o inverno gelado. Esse método, aplicado numa região fria, auxilia a natureza expondo ao calor do suave sol de primavera a camada viva do solo possibilitando que a prática agrícola se inicie mais cedo.

Porém, quando são derrubadas as matas das zonas tropicais com os potentes tratores de esteira ligados por pesadas e grossas correntes, a camada viva superficial do solo é aquecida a 60ºC ou até 80ºC pelo tórrido sol tropical, mata-se a flora e a a fauna subterrânea pelo calor e pela destruição provocada pelo arado mecânico. Nesse solo morto a matéria orgânica não pode ser reciclada. A única alternativa é alimentar as plantas com adubo químico, pois elas só conseguem absorver a matéria orgânica que foi mineralizada pelo organismos vivos do solo. A lavoura alimentada com NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) é microdesnutrida, apesar de aparentar saúde.

A Natureza porém não se engana e, seguindo suas leis de equilíbrio e homeostase envia seus agentes para eliminar as plantas de seiva doce (sintoma decorrente do uso de NPK) como verificou Chaboussou em 1.981. estes organismos são chamados de pragas e "tratados" com defensivos agrícolas, isto é, venenos poderosíssimos que adoecem e matam os agricultores. Grando, em 1.998, constatou que somente no Estado de Santa Catarina são registrados np Centro de Informação Toxicológica da Universidade Federal de Santa Catarina 30 a 40 casos de intoxicação por agrotóxicos ao mês, chegando a 500 casos por ano, dos quais 15 em média vão a óbito.

Bortoletto em 1.993 afirma que este índice é subestimado quando pensamos no Brasil todo. Os agricultores apresentam sintomas vagos que por vezes passam desapercebidos ecoluindo até dores de cabeça e estômago, fraqueza, sonolência; chegando a danos neurológicos irreversíveis, neoplasias e malformações congênitas além de abortos. Essas manifestações variam segundo a susceptibilidade do indivíduo, podendo ocorrer em pessoas que não sejam trabalhadores rurais, mas sim consumidores inconscientes que estão se intoxicando cronicamente! Além de danificar de forma irreversível o meio ambiente, a agricultura convencional está produzindo alimentos inadequados, microdesnutridos e intoxicados estendendo a mesma condição aos consumidores.

Por: Fernando Bignard

Categoria(s): Artigos, Saúde