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Agricultura ecológica e a saúde humana - Parte 3
17/08/2011 21:12

Esse cárcere materialista possibilitou um incrível desenvolvimento tecnológico e o descobrimento das leis que regem a matéria. A ciência ficou restrita à dimensão material até que Einsten equiparou a energia (imaterial) à matéria, retomando para o mundo leigo a imaterialidade. Também na Medicina, demorou muito para que a Psiquiatria pudesse surgir e cuidar dos distúrbios de comportamento. Estes eram abordados exclusivamente com o exorcismo que pressupunha que o doente mental, possuído pelo demônio, deveria ser maltratado até que satã dele se desinteressasse! Essa cultura ficou tão arraigada que impregna até hoje os hospitais psiquiátricos. A integração da psique ao soma ainda engatinha na Medicina convencional mas vem se fortalecendo nas abordagens multiproffssionais e interdisciplinares.

No jornal do milênio passado essa tendência de resgatar a unicidade, o sentimento holístico se fortaleceu com a ecologia, procurando entender os fenômenos de forma integrada. Mesmo a ciência convencional continuou seu caminho na direção da Organicidade: o contemporâneo físico quântico hindú Amit Goswami, professor da Universidade de Oregon, EUA, começa a postular a consciência como a raiz formal de todos os fenômenos. Por outro lado o biólogo Rupert Sheldrake da Universidade de Cambridge, Inglaterra, sugere a existência de campos morfogenéticos subjacentes aos processos biológicos, contribuindo para o entendimento de fenômenos de comunicação imaterial entre os seres. Já no campo da farmacologia o médico Jackes Beneviste (1.988) consegue estimular células (basófilos) com uma preparação não molecular, isto é, uma água que continha apenas informação imaterial. Com isso se abriram perspectivas para o entendimento da homeopatia que ficou por dois séculos alienada da ciência convencional por medicar com preparações imateriais.

Na agricultura, são revistos princípios metodológicos e principalmente a integridade do bioma subterrâneo na qualidade do alimento produzido. A tecnologia agrícola que ara e mata o solo em sua qualidade e capacidade criativa como demonstra o documento publicado pelo Senado Americano em 1.992 revelando que o solo agrícola americano apresentava um déficit de 85% de minerais essenciais contra uma média mundial de 75%! Apesar de ser alarmante essa condição atual já em 1.936 o documento 264 do mesmo senado Americano já afirmava que o solo das fazendas americanas estava deficiente acarretando deficiência numa vasta gama de minerais em 99% da população americana! (Dados de 70 anos atrás!) Essa condição empobrecida dos solos causa deficiências nas plantas neles cultivadas que gera a demanda de agrotóxicos especialmente herbicidas cujo baixo peso molecular favorece a disseminação e difusão num raio de 30Km! Em 125 pacientes avaliados por T. Higashi em 2.001 na cidade de São Paulo, 124 apresentavam algum grau de contaminação por agrotóxico, e São Paulo não é uma cidade rural!

Os dados disponíveis no Centro de Assistência Toxicológica da UNESP - Botucatu revelam que 81% dos 1.591 pacientes atendidos pelo serviço estavam intoxicados por agrotóxicos. Todos esses pacientes apresentavam alguma sintomatologia que provocou o encaminhamento para o serviço que é coordenado pelo Dr.Antônio Francisco Godinho (2.002), cuja observação sistemática de tal população sugere que a intoxicação crônica e cumulativa leva a alterações comportamentais, além das físicas; revela também que estudos lá realizados demonstraram que a intoxicação materna se transmite pelo leite aos filhos acarretando neuropatias e distúrbios comportamentais precoces. Esta situação foi bem estudada em bovinos e caprinos, mas observações comportamentais e laboratoriais em humanos reforçam a ocorrência do mesmo fenômeno na nossa espécie.

Outro aspecto importante a ser considerado é a omposição do alimento cultivado em solo vivo. A integridade e biodiversidade da flora e da fauna subterrânea dispõe para as plantas uma variedade de nutrientes acarretando melhor qualidade nutricional dos produtos. Bob Smith publicou em 1.993 no Journal of Applied Nutrition (pg.35 a 45) extenso estudo sobre a composição de vários produtos orgânicos comparados aos equivalentes obtidos pela agricultura convencional. Es relação ao trigo, observou-se que o orgânico tem 1.300% mais selênio, 540% mais manganês, 430% mais magnésio; por outro lado tem 65% menos chumbo e 40% menos mercúrio. Ainda em relação ao trigo a Price Pottenger Nutrition Foundation divulgou que o trigo de 1.900 continha 90% de proteína enquanto que o de 1.990 tinha apenas 9% (muitas vezes a seleção de cultivares resistentes às pragas acaba acarretando perdas na qualidade nutricional do produto).

Em relação ao milho Smith constatou que o teor de cálcio era 1.800% maior no orgânico, assim como 1.600% mais rico em manganês, 490% em molibidênio, 300% mais selênio; por outro lado tinha 80% menos alumínio e 80% menos mercúrio. Essa tendência se mantém em outros trabalhos como demosntra a metanálise de trabalhos desse tipo realizada por Williams em 2.002. No geral se observa uma marcada tendência na redução de nitratos assim como um incremento no teor de vitamina C nos alimentos orgânicos; também se observa uma maior disponibilidade protéica. Em 2.001 a nutricionista inglesa Shane Heaton revisou 400 rabalhos científicos num projeto da "Soil Association" (instituição de pesquisa britânica) concluindo que em síntese a alimentação orgânica tem efeitos positivos sobre a saúde humana; observou ainda que os teores deminerais dos produtos da agricultura convencional caíram vertiginosamente na última metade do século e reafirma a influência dos métodos de cultivo no teor de vitaminas e minerais e associa esse fato ao crescimento da indústria de suplementos alimentares!

Por: Fernando Bignard

Categoria(s): Artigos, Saúde