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Como já se previu, super-mato resistente ao glifosato já infesta metade das propriedades nos EUA, e agricultores podem desistir de transgênicos nos EUA, por baixo rendimento.
25/02/2013 10:49
Como já se previu, super-mato resistente ao glifosato já infesta metade das propriedades nos EUA, e agricultores podem desistir de transgênicos nos EUA, por baixo rendimento.
Uma empresa de consultoria em agronegócio nos EUA, a Stratus, vem desde 2010, entrevistando “milhares de agricultores norte-americanos” ao longo de 31 estados a respeito do avanço da infestação de ervas espontâneas que desenvolveram resistência ao herbicida Roundup, da Monsanto, fabricado a base de glifosato e usado nas lavouras transgênicas da mesma empresa desenvolvidas para tolerar aplicações do produto.

Os números levantados mostram que:
- Em 2012, praticamente metade (49%) dos agricultores entrevistados disseram ter mato resistente a herbicidas em suas lavouras. Em 2011, eram 34%;
- A resistência é ainda pior no sul do país. Por exemplo, 92% dos agricultores do estado de Georgia disseram ter mato resistente ao glifosato em suas lavouras;
- A resistência está avançando rapidamente também no meio-sul e no meio-oeste. Entre 2011 e 2012, a área infestada com essas invasoras praticamente dobrou nos estados do Nebaska, Iowa e Indiana;
- O avanço da infestação acontece de maneira mais rápida a cada ano: a área total infestada aumentou em 25% em 2011 e em 51% em 2012;
- Em 2010, apenas 12% das propriedades tinham mais de uma espécie de mato resistente. Apenas dois anos depois, 27% das propriedades já tinham ao menos duas espécies resistentes.

A solução proposta pela Monsanto para driblar o problema são as “próximas gerações” de sementes tolerantes a herbicidas – ou seja, lavouras desenvolvidas para resistir não apenas ao Roundup, mas também a outros herbicidas ainda mais tóxicos, como o 2,4-D e o Dicamba. O problema é que tal escalada na guerra química contra o mato levará ao desenvolvimento de variedades de mato mais prolíficas e mais resistentes, e a um dramático aumento no uso de herbicidas.

Nos EUA, o Departamento de Agricultura (USDA) ainda não autorizou o cultivo comercial do milho transgênico da Dow chamado Enlist, resistente ao Roundup e ao 2,4-D (um dos dois ingredientes ativos do famoso “agente laranja”, usando como desfolhante na Guerra do Vietnam e que causou milhares de mortes e de nascimentos de bebês com malformações congênitas). A autorização era esperada para o final de 2012, mas foi adiada, segundo notícias divulgadas pela Reuters, devido à forte oposição pública.

O recurso que tem sido usado pelos agricultores para enfrentar a infestação do super mato é aumentar, cada vez mais, a quantidade de agrotóxicos aplicada. Segundo um estudo publicado pela Universidade da Califórnia em 2012, realizado por uma equipe da Penn State University liderada por David A. Mortensen, “em 2011 o combate à resistência ao glifosato já custava aos agricultores perto de US$ 1 bilhão por ano”.

Mas despejar cada vez e sempre mais venenos nos campos não é a única saída. Em um estudo publicado em 2012 na revista científica PLoS ONE, pesquisadores da Iowa State University mostraram que a simples diversificação na rotação de culturas, aliada à introdução de cultivos de cobertura, podem suprimir o mato – inclusive o mato resistente ao Roundup – e diminuir entre 6 e 10 vezes o uso de fertilizantes químicos [mas essas técnicas simples e baratas não interessam às corporações do agronegócio].

Fonte: Boletim ASPTA da Campanha por Brasil Livre de Transgênicos Número 617 - 08 de fevereiro de 2013, com matéria original extraído e adaptado de:Nearly Half of All US Farms Now Have Superweeds – Mother Jones, 06/02/2012.


Agricultores podem desistir de transgênicos nos EUA, por baixo rendimento

Produtores americanos consideram retornar ao uso de sementes convencionais dado que o aumento de pragas resistentes e a perda de lavouras têm levado a menores colheitas dos cultivos transgênicos em relação às suas contrapartes convencionais.

No país, um produtor paga cerca de 100 dólares a mais por acre pelas sementes transgênicas [~R$125/ha], e muitos se perguntam se haverá benefícios em continuar usando essas sementes.

“Trata-se de uma análise de custo e benefício”, disse o economista Dan Basse, presidente da AgResource, empresa de pesquisa agrícola.

“Os produtores estão pagando a mais pela tecnologia, mas as colheitas não são melhores do que as de 10 anos atrás”.

“Voltei a aplicar inseticidas”, disse Dan Basse, referindo-se aos insetos que não são controlados pelas plantas transgênicas como deveriam.

Caso os produtores decidam voltar atrás, enfrentarão a questão da oferta de sementes convencionais, dado que cerca de 87% do cultivo no país são feitos com sementes modificadas.

Entre os países com maiores produtividades em 2012 estão asiáticos como a China, que não usam sementes transgênicas.


Fonte: Boletim ASPTA da Campanha por Brasil Livre de Transgênicos Número 617 - 08 de fevereiro de 2013, com matéria original adaptado de “US farmers may stop planting GMs after poor global yields, por Robyn Vinter - Farmers Weekly, 06/02/2013” pelo blog Em Pratos Limpos.
Categoria(s): Agrotóxicos, Transgênicos