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Agricultura ecológica e a saúde humana - Parte 5
17/08/2011 21:22

Um aspecto fundamental no processo da alimentação é a sensibilidade. O ser humano, por pentecer a uma espécie caracteristicamente social, paga qualquer preço para se sentir parte de seu grupo e aceito por ele. Desde a infância se depara com expectativas alheias (inicialmente dos pais e depois da sociedadecomo um todo). Passa a acreditar que precisa atender a essas expectativas para ser aceito até mesmo pelos seus pais. Nesse processo acaba abrindo mão do que sente para tornar-se aquilo que se espera que ele seja; passa a seguir o projeto idealizado que deve realizar para ser aceito. Nesse processo o ser humano perde sua sensibilidade, sua capacidade de sentir o que de fato necessita. Distancia-se de sua função instintiva que lhe permite perceber do que necessita. É essa função que possibilita a um cão procurar a erva que limpará seu estômago. A educação alienante consome nossa capacidade de sentir o que precisamos comer e de escolher a qualidade dos alimentos que de fato nos nutrirão. O solo vivo é uma inigualável usina de transformação que, aliada aos vegetais, transforma informações cósmicas através da luz, calor, ar e água em alimentos.

Segundo os ensinamentos tradicionais aquilo que comemos deve ter alma, vitalidade para nutrir nossa alma e nossa vida. Talvez uma das causas da obesidade, problema cada vez mais preocupante atualmente, possa ser a baixa vitalidade dos alimentos. Nossa alma ou nossa parte imaterial se alimenta da parte imaterial e da vitalidade dos alimentos. Quando nos alimnetamos de algo "vazio" precisamos comer muito para sentir saciedade. Enretanto quando ingerimos uma comida feita com ingredientes naturalmente produzidos, recém colhidos e preparados com cuidado e carinho sentimos um preenchimento do nosso ser e talvez até alegria! Podemos ter esta experiência quando comemos um suhi "fast food" na praça de alimentação de um shopping center e compararmos com uma sensação que sentimos quando comemos o mesmo sushi preparado por um sereno sushiman em um tradicional restaurante japonês! O sabor, a textura, a durabilidade são algumas das características do alimento vitalizado.

Scharpf e Aubert em 1.976 observaram que ácidos orgânicos não nitrogenados (associados ao sabor) são relativamente mais abundantes em produtos orgânicos pois são reduzidos em produtos que receberam fertilizantes amoniacais, os quais também reduzem sabor em tomates, cenouras e couve-flor. Quando se compara a durabilidade de produtos orgânicos e convencionais observa-se que os últimos apresentam maior índice de perdas (Samaras, Peterson 1.977, 1.978). Consumidores também referem maior durabilidade do produto orgânico como motivo de preferência em pesquisa realizada por Cerveira e Castro em 1.999. Hoje sabemos que as doenças crônicas são as principais causas de morte e que são decorrentes do estilo de vida. Por mais que a medicina convencional tenha avançado no controle das deonças crõnicas "tratando" com hipoglicemiantes os diabéticos, com analgésicos os que tem dor, não desenvolveu processos de cura verdadeira pois esta não pode ser alcançada apenas no plano físico.

Um verdadeiro tratamento precisa promover revisão e mudança de hábitos, de estilo de vida. Isto só é possível numa abordagem multiprofissional e interdisciplinar. A pessoa que está doente está com o sinal de alerta ligado. A doença se assemelha a luz que acende no painel de um carro em viagem: o bom senso manda que se pare e verifique o motivo que provocou o alarme. Nenhum motorista em sã consciência iria pegar um martelo e um estilete, apagar a luz quebrando-a e continuar a viagem como se nada tivesse acontecido. Assim também não é sensato erradicar uma dor com anaçgésico e continuar a vida como se nada estivesse acontecendo! Da mesma forma nã podemos jogar alimentos "guela abaixo" como alguém enche um tanque de combustível. Alimentação demanda relacionamento, reconhecimento do que sentimos que precisamos comer, daquilo que nos faz bem, daquilo que necessitamos.

A medicina tradicional chinesa, assim como a ayurvédica, confere enorme atenção "a escolha do alimento adequado. Minha avó escolhia tomates chesirando-os, experimentava os produtos da feira antes de adquirí-los, deixava que o olfato e o paladar decidissem se eram vitalizados ou não. Hoje nós lemos os rótulos das embalagens plásticas, perdemos o contato com a origem daquilo que comemos! Não é possível se curar sem se transformar, sem rever nossoa hábitos, padrões, atitude mental e postura física. Precisamos administrar pessoalmente nossas necessidades. Não é possível "terceirizar" nossa saúde e nem nossa vida. O conceito de Ecologia Médica que temos utilizado nos últimos anos reconhece a doença de um ser como um fenômeno ecológicoque expressa um desequilíbrio que se enraiza para além do doente. As origens podem estar no ambiente social, no desequilíbrio ambiental, na inadequada produção dos alimentos.

Por: Fernando Bignardi

Categoria(s): Artigos, Saúde