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Resposta da AAO ao Artigo Publicado no Jornal El PAÍS (Brasil)

A Agricultura Química e Transgênica Volta a Atacar Quem Veio Para Substituí-la

Quando somos atacados exatamente pelas nossas reconhecidas virtudes percebemos que vivemos em um tempo em que as guerras acontecem no campo da informação e da contra-informação para construir ou desconstruir imagens, não importando sua correspondência com a realidade.

A agricultura orgânica foi acusada de não ser produtiva, de não ser boa para o meio-ambiente, de promover o desperdício e de não ter alimentos saborosos.

Em matéria veiculada no jornal El País, a jornalista Kristin Suleng faz referência a pretensos especialistas para reunir um conjunto de acusações contra a agricultura orgânica, sem, contudo, levar em conta as pesquisas e opiniões que sustentam o contrário.

Mas não precisamos de muito esforço para descobrir, ao fim do artigo, sua verdadeira motivação ao revelar que os "especialistas" que acusam os orgânicos, - são defensores da biotecnologia transgênica. Então fica fácil entender que, por traz do artigo, escondem-se interesses econômicos poderosíssimos das indústrias que hoje unem agrotóxicos e sementes transgênicas.

Atuam para limpar sua imagem investindo nos meios de comunicação - desta vez o jornal El Pais – e a na produção de pesquisas que lhes sejam favoráveis – neste caso um artigo publicado na revista New Scientist, que por seus erros crassos já foi devidamente respondido por um outro artigo da prestigiosa Soil Association da Inglaterra.

A agricultura orgânica – sem ter o poder econômico por trás de si- construiu uma sólida imagem positiva baseada na experiência incontestável de produtores e consumidores de todo o mundo e depois comprovada por inúmeros trabalhos científicos independentes. Aliás, a humanidade até o meio da Revolução Industrial, quando se começou a introduzir fertilizantes químicos na agricultura, produziu e comeu orgânicos. Hoje em dia, ao contrário do que diz o suspeito artigo, a agricultura orgânica é rigorosamente rastreada por meio de legislação específica e portanto todos sabem como são produzidos seus alimentos.

Além disso, por ser produzida sem a dependência da indústria química e da biotecnologia, a agricultura orgânica pode ser praticada em qualquer país, mesmo pobre, e isso representa segurança alimentar aos povos.

A produtividade, como acontece na produção de cana orgânica das usinas da Native (em São Paulo) que é 15 a 25% maior que a convencional, ou no caso da horticultura orgânica que abastece a capital paulista, cuja produtividade somada ao longo de mais de duas décadas demonstra inúmeras vantagens produtivas desse sistema, não deixa dúvidas sobre qual o melhor caminho para alimentar o mundo.

Ao contrário do que diz o artigo, qualquer agricultor orgânico sabe que pragas e doenças não são um problema e que elas ocorrem muito menos do que na Agricultura Convencional.

Qualquer consumidor de orgânicos também sabe que os alimentos frescos, in natura, duram muito mais em suas casas, evitando o desperdício. Há ainda pesquisas que nos informam que os alimentos orgânicos chegam a ter o dobro do teor de sólidos solúveis que os alimentos convencionais, significando o dobro de nutrição, além de melhor sabor.

Sabemos que a agricultura convencional é a maior causa da degradação do meio ambiente do pós guerra para cá. Se a jornalista estivesse sinceramente preocupada com o meio ambiente deveria buscar informações nas estatísticas que mostram que essa agricultura por ela defendida é responsável por milhões de hectares de áreas degradadas em todo o mundo. Que essa degradação impacta na produção de água doce. Que degrada rios contamina águas subterrâneas e acidifica os oceanos.

Cientistas do IPCC apontam a agricultura convencional como grande responsável pelas mudanças climáticas. E, por fim, abundam pesquisas apontando que este alimento produzido a um custo tão alto está relacionado às principais doenças que acometem a humanidade como intoxicações, doenças respiratórias, câncer, doenças degenerativas e outras.

Tudo isso e mais alguma coisa uma boa jornalista investigativa teria tido a oportunidade de ler no resumo executivo do painel criado pela FAO há alguns anos atrás, para avaliar o conhecimento, ciência e tecnologias para uma agricultura sustentável. O IAASTD1. Mas seu objetivo não era informar, e sim fazer lobby pró transgênicos e agrotóxicos.

Isso revela o quanto o agronegócio se sente ameaçado, pois, embora a Agricultura Orgânica, não passe ainda hoje de 1% da agricultura mundial, ela já incomoda muito, porque surge como a única alternativa para um futuro melhor.


Este é o link (http://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/15/ciencia/1481801597_706486.html) para o artigo, "Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta", do jornal "El PAÌS".

E este é o link (http://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/22/ciencia/1482428721_752883.html) para o artigo, "Defensora do Leitor do EL PAÍS: A pegada da agricultura orgânica", do mesmo jornal.