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UPD AE - Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica - São Roque

Perspectiva Histórica – A UPD em Agricultura Ecológica - São Roque, SP

A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica (UPD AE) situa-se no município de São Roque no estado de São Paulo à Av. Três de Maio, 900. A UPD AE pertencente ao Centro de Insumos Estratégicos e Serviços Especiais (CIESE) do Departamento de Descentralização do Desenvolvimento (DDD) da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do estado de São Paulo.

A estação experimental deu início as suas atividades em 1928 com o Pesquisador João Herrmann, como Estação Experimental do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), tendo a videira como principal cultura de estudo, devido à importância regional desta cultura àquela época. Por volta de 1950 a estação passou a ser o centro de estudos do banco de germoplasma do IAC na área de fruticultura, sob o comando do Chefe da Unidade àquela época, o Pesquisador Wilson Corrêa Ribas.

Com a perda gradativa da importância econômica da videira para a região de São Roque, as principais culturas estudadas na UPD AE passaram a ser pêssego, ameixa, nectarina, caqui, graviola, macadâmia, maça, marmelo, pecan, pêra e oliveira. Em relação às oliveiras, a UPD São Roque participou nas décadas de 50 e 60 do século passado de uma rede de estudos dessa cultura cujo objetivo era avaliar a viabilidade econômica do cultivo em nosso estado.

Na década de 80 do século passado, as pesquisas com fruteiras temperadas foram centralizadas em outra Estação Experimental do IAC, no bairro do Corrupira, em Jundiai, onde atualmente fica o Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócios das Frutas do IAC.

Com esta mudança, a antiga Estação Experimental de São Roque do IAC passou por um processo de reformulação em suas linhas de pesquisas, sendo a floricultura escolhida pelo então Chefe da Unidade, o Pesquisador Virginio Bovi. Para São Roque foram direcionados parte do banco de germoplasma do IAC de floricultura, com a vinda das coleções de germoplasma de agapanto, hemerocales, antúrios, gladíolos entre outros. Coincidiu com esta época a expansão urbana de São Roque, de forma tal que o bairro onde está localizada a UPD AE começou a se consolidar.

O uso de agrotóxicos aplicados no banco de germoplasma de flores acabou gerando conflitos com a população local, o que levou o Dr. Bovi a iniciar um processo de mudança do sistema produtivo, com a redução da aplicação de agrotóxicos. Com a chegada do novo chefe da unidade em 1994, o pesquisador Issáo Ishimura (1994-2008), consolidou-se na UPD São Roque o sistema de cultivo orgânico de hortaliças e banana, deixando gradativamente de manter o banco de germoplasma de floricultura, o qual foi direcionado para outras Estações Experimentais do IAC, em Pariquera-açú e Ubatuba.

Desta forma, a UPD AE passou a atender a demanda de cerca de 120 produtores orgânicos situados em Caucaia do Alto, Cotia, Ibiúna, Mairinque, Pilar do Sul, Piedade, São Roque e Vargem Grande. As pesquisas na UPD São Roque passaram a estudar um biofertilizante sólido denominado de bokashi e o melhoramento da cebola em parceria com a Embrapa Hortaliças que resultou no desenvolvimento da cultivar Alfa Orgânica. Outros estudados na linha orgânica também foram objetos de pesquisa pela UPD AE, como a avaliação de cultivares de tomate com resistência a nematoide.

Em junho de 1994 foi lançado o primeiro Núcleo da Biosfera de São Roque, coordenado pela Dra. Ondalva Serrano. O Núcleo atuou até 1999 na UPD São Roque através da formação de crianças e adolescentes pelo Programa Praticas Agroflorestais e Participação Juvenil em Zonas Periurbanas. O objetivo do programa foi promover a conscientização ambiental e viabilizar atividades agro-silvo-pastoris junto com jovens e trabalhadores rurais do cinturão verde de São Paulo, composto por 60 municípios.

Depois da expansão urbana de São Roque, a Prefeitura Municipal passou a desejar outra finalidade para os 44 hectares da UPD AE. Em 1997, o então prefeito municipal Efaneu Nolasco Godinho requereu ao governo do estado a área da Unidade para o município. Naquela época, o Chefe da Unidade, Dr. Issáo, obteve o apoio de inúmeras entidades de produtores e de pesquisa, conseguindo ao final daquele ano reverter à demanda do prefeito.

De tempos em tempos, os interesses do Legislativo e Executivo Municipal se voltam para a área da UPD AE, o que representa um serio risco politico diante do cenário de crise que o Estado Brasileiro vive em 2015.

Em 2002, a APTA foi reorganizada e a antiga Estação Experimental deixou de pertencer ao IAC, passando a ser chamada de Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento São Roque (Decreto 46.488 de 8 de janeiro de 2002).

A UPD AE estabeleceu uma rede de agroecologia e promoveu de 2003 a 2014 o Seminário Regional de Agroecologia em parceria com os Sindicatos Rurais de Ibiúna e Sorocaba, além do Escritório de Desenvolvimento Regional de Sorocaba – EDR Sorocaba. Em parceria com o SENAR, cursos de Olericultura Orgânica e Tomaticultura Orgânica vem sendo realizado anualmente em Cotia, Ibiuna, Tapirai, Porangaba entre outros municípios.

Na área de abrangência da UPD AE estão 77 municípios.

Contudo, quando o assunto é agricultura orgânica, a UPD AE responde por todo o estado de São Paulo, atendendo somente em 2012 demandas em Andradina, Bernardino de Campos, Pariquera-açú, Piracicaba, Presidente Epitácio e Ribeirão Preto. Por esta razão, o Chefe da Unidade, Pesquisador Sebastião Wilson Tivelli (2008-até presente data) preside a Comissão Técnica de Agricultura Ecológica e Periurbana da SAA e tem assento na Comissão de Produção Orgânica de São Paulo – CPOrg-SP do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

No âmbito regional, a UPD São Roque atua no Projeto Guarapiranga Sustentável que visa atender cerca de 1.000 agricultores em oito municípios localizados no entorno da Bacia Hidrográfica da represa da Guarapiranga. Na cidade de São Paulo, tem assento na Comissão Executiva do Protocolo de Boas Praticas Agroambientais, em parceria com a prefeitura municipal e a Secretaria do Meio Ambiente. A nível municipal tem assento na Comissão Municipal de Desenvolvimento Rural, a qual desenvolve o Plano Municipal para a agricultura de São Roque.

Desde 2012, a UPD AE organiza o Curso de Capacitação em Agricultura Orgânica para Técnicos da CATI, Codeagro, DEFESA e ITESP, além de técnicos da própria APTA e de Prefeituras. O Curso capacitou em 13 Edições 277 técnicos, com um investimento de R$353.000,00 pela Ação São Paulo Orgânico. O Curso teórico e pratico tem 40 horas de duração.

Em 2014, tiveram início os cursos de capacitação específicos em Olericultura, Fruticultura, Sistemas Agroflorestais, Cereais (milho, soja e feijão) e Café orgânico, realizados, respectivamente, em Ibiúna, Itápolis, Taubaté/Presidente Prudente, Ipeúna e Batatais. Os cursos específicos têm 16 horas de duração, divididos em teoria e pratica. Somente em 2014, os cursos específicos capacitaram 292 técnicos com um investimento estadual de R$162.800,00.

O trabalho desenvolvido pela UPD AE desde 1994 foi reconhecido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento em 2013, quando, através da Portaria DDD 146 de 04 de outubro de 2013, o Coordenador da APTA alterou a denominação da UPD São Roque para Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica (UPD AE), atendendo assim, uma demanda da Sociedade Civil Organizada feita por meio da Câmara Setorial em Agricultura Ecológica. Passou a UPD AE a ser o Centro de Referência em Agroecologia do Governo do Estado de São Paulo, oficialmente agora, atendendo os 645 municípios paulistas.

O alinhamento dos esforços de diferentes setores proporcionou com a Frente Parlamentar da Produção Orgânica da ALESP a destinação de recursos pelo orçamento do Estado em 2014. Parte dos recursos foi investido na construção de um auditório na UPD AE, cuja inauguração está prevista para o dia 22 de outubro de 2015.

São Roque, 02 de outubro de 2015.

UPD-AE